6 de jan. de 2025

2025 e Matemática

 Normalmente eu não escrevo sobre este tipo de coisa viral, porque a grande maioria deste tipo de coisa é falsa (como aquela mensagem que recebo todo ano falando que este Fevereiro será o único em séculos que tem 4 vezes cada dia da semana... mas se você parar para pensar, fevereiro tem quase sempre 28 dias, que dá 4x7), mas desta vez eu fui pesquisar e realmente 2025 é um ano matematicamente especial.

2025 é o primeiro ano quadrado perfeito desde 1936 (2025 = 45*45) e o próximo ano quadrado perfeito será apenas 2016, quase 100 anos para frente.

Além disto, 2025 é igual ao quadrado da soma de todos os algarismos ocidentais, ou seja, 2025 = (0+1+2+3+4+5+6+7+8+9)^2. Isto, ao contrário de ser um quadrado perfeito, nunca mais ocorrerá, porque todos os 10 algarismos existentes já foram usados, o que torna este ano, matematicamente falando, único.

Já a muito tempo eu deixei de acreditar em horóscopo ou qualquer outro tipo de previsão do futuro ou numerologia, mas confesso que é interessante esta matemágica toda em relação ao número 2025 que, por acaso, é o ano que se inicia.

Feliz 2025 para todos!

18 de nov. de 2024

Leitura para os Filhos

Hoje, ao escrever meu post sobre o último livro que terminei, lembrei-me que não estava sendo muito honesto quando aos livros que realmente li, porque, na verdade, tenho pelo menos mais 5 ou 6 livros já terminados que não comentara aqui, simplesmente por um motivo meio bobo: eu os estava lendo para meus filhos.

A um bom tempo atrás eu havia desenvolvido o hábito de ler para minha filha os livros que ela trazia da biblioteca da escola, antes dela dormir, fazendo meu melhor para fazer vozes diferentes para cada personagem, de modo que ela gostasse deste momento. Passei por muitos livros infantis desta forma e cheguei a ler diversas coleções que realmente recomendo, como do Bat Pat.

Nesta toada, resolvi ler para ela o Hobbit, afinal de contas, era um livro que Tolkies escrevera para os filhos, e deu super certo. Tão certo que eu continuei com este hábito com os gêmeos, muitas vezes lendo novamente livros que eu já havia lido para ela, como a coleção do Bat Pat e até mesmo o Hobbit.

E recentemente eu comecei a ler a coleção do Caça-Feitiços (que chegou a ter um filme muito ruim para o cinema). Nela você acompanha a história de Tom, um sétimo filho de um sétimo filho, o que, no mundo do livro, lhe concede alguns poderes especiais contra os poderes das trevas, como conseguir ver os espíritos.

Mas Tom não era um menino qualquer, pois se percebe desde o primeiro livro da série que ele tem algo especial, ao se tornar aprendiz de John Gregory, e começando a aprender o ofício do combate às forças das trevas.

Hoje já estou no livro 6 da série e só hoje percebi que não falei nada a respeito aqui... o que pretendo corrigir em breve com um resumo de cada um dos 5 que já li para os pequenos.

Isto dito, se você estiver lendo isto e tiver filhos, recomendo demais que tente fazer isto com eles, porque a experiência é muito gratificante e com certeza ficará na memória deles para sempre!

As Índias Negras

Neste último final de semana terminei de ler As Índias Negras, mais um romance de Júlio Verne da minha coleção e tentativa de terminar com todos os livros deste famoso escritor, agora com este originalmente publicado em 1877, quase 100 anos antes mesmo de eu nascer.

Em primeiro lugar, demorei até o final do livro e, ouso dizer, após o término par finalmente entender o título dele, que na verdade é uma alusão à riqueza impulsionada pela extração e utilização de carvão na revolução industrial comparada à riqueza gerada pela exploração das Índias em tempos anteriores.

Isto posto, já podemos até falar que praticamente toda a história se passa dentro de uma mina de carvão na Escócia, a Nova Aberfoyle (já que a mina original que se encontrava esgotada, chamava-se Aberfoyle), e gira em torno do engenheiro Jamie Starr e da família dos capatazes, os Ford e seu amigo, Jack Ryan.

A história serve, como em diversos outros livros do autor, de pretexto para explicar detalhadamente muitos aspectos da ciência e do cotidiano por trás da exploração do carvão, porém, desta vez, com uma história bem intrigante por trás.

A história começa quando o engenheiro é chamado pelo seu antigo capataz para visitar a mina esgotada de Aberfoyle, o que leva à descoberta de um jazigo de carvão muito maior que o original e cria a Nova Aberfoyle. Mas o intrigante em tudo isto é que muitos acontecimentos pouco fortuitos levam tanto os personagens quanto o leitor a crer que algo ou alguém não quer que o novo esforço de mineração aconteça.

No meio da história somos apresentados a novos personagens que não vou citar aqui para não estragar a surpresa dos que porventura ainda não conheçam este livro.

Mas infelizmente, todo este enredo acaba ficando um pouco vazio, com um desfecho da história simplório e sem nenhuma reviravolta ou surpresa. Uma pena, pois o potencial do livro prometia muito...


16 de nov. de 2024

Programas Governamentais Caídos no Esquecimento

Quando falam que o Brasil é desorganizado, eu geralmente tento defender, citando as diversas grandes invenções até mesmo disruptivas e tipicamente brasileiras, como o próprio sistema bancário nacional e a mais recente invenção do PIX, que revolucionou como nós lidamos com as transações financeiras.

Mas tem coisas que não dá para defender...

Recentemente me deparei com alguns adesivos de eficiência energética do programa de etiquetagem veicular, desenvolvido pelo Governo Federal em parceria entre o Inmetro e o Ibama, para identificar de forma objetiva os veículos menos poluidores disponíveis no mercado nacional, cujo exemplo pode ser visto a seguir.

É importante observar que o modelo desta etiqueta encontra-se no site do Inmetro e que um veículo participante deste programa deve ter esta etiqueta colada no seu para-brisa no momento da venda, demonstrando a suposta seriedade do programa.

Porém parece que a seriedade do programa, pelo menos na parte do governo, termina por aí...

O selo possui um logo do conpet, supostamente o programa para melhorar os veículos nacionais no quesito de emissões. O primeiro problema é que este selo ou programa não existe... pelo menos não mais de forma oficial em lugar nenhum.

Embora a mais recente tabela de veículos publicada no Inmetro em outubro de 2024, que você pode encontrar neste endereço, ainda fale que para maiores informações você deve acessar o site www.conpet.gov.br , o mais curioso é que este site simplesmente não existe (pelo menos não na data em que eu estou publicando este artigo (pode tentar... site inexistente).

O Conpet foi criado entre uma parceria entre o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras para racionalização do usos dos derivados do petróleo, na época do petrolão, porém a última instância que eu encontrei do site através da Wayback Machine foi em 2020 e de lá para cá nem o Google sabe mais o que Conpet significa, o que mostra que o programa foi, na prática, descontinuado a mais de 4 anos e, mesmo assim, ainda vem sendo referenciado pelo Inmetro quando se trata do programa de etiquetagem.

E adicionalmente, a etiqueta tem um QR Code que leva ou a uma página inexistente ou a uma página com limite mensal de leituras expirado, o que mostra que os órgãos oficiais não estão preocupados nem com a disponibilização de informações coerentes sobre o programa. Vai lá... pode tentar ler o QR-code na imagem e ver o resultado...

Contra este tipo de coisa, realmente não tem defesa e, pior, isto me faz pensar em quanto mais programas com nomes bonitos já foram inventados para simplesmente caírem no esquecimento após gastos provavelmente absurdos.


13 de out. de 2024

Miguel Strogoff

Dando seguimento ao meu esforço de leitura das obras completas de Julio Verne, cheguei a Miguel Strogoff, romance publicado em 1876, 100 anos antes de meu próprio nascimento, e acompanha as aventuras do correio do Czar, homônimo ao livro.

A história começa quando o já inexistente império russo é invadido pelos tártaros, comandados por Feofar Khan, e o imperador dá a Miguel a importante missão de percorrer mais de 5.500 km até Irkutsk com uma carta para seu irmão, colocando-o a par de importantes informações sobre um traidor das frentes russas que está ajudando o Khan, Ivan Ogaref.

A missão dada a Miguel, porém, deve permanecer em sigilo absoluto e o mesmo não deve mostrar a ninguém que se trata de um correio com tão importante informação, de modo que não seja perseguido pelos Tártaros e pelos traidores do império.

A aventura se desenrola, então, nesta travessia da Rússia já parcialmente ocupada pelos invasores e em guerra, na qual Miguel acaba encontrando diversos companheiros de viagem que, de tempos em tempos, aparecem e desaparecem da história.

Entre eles, se destacam Harry Blount e Alcide Jolivet, dois correspondentes de jornais, um inglês (o Daily Telegraph) e outro francês nunca nomeado, que são, inclusive, apresentados na história antes mesmo de Miguel fazer parte dela, e aparecem constantemente na narrativa fazendo de tudo para levar aos leitores de seus respectivos jornais as informações da invasão de formas muitas vezes jocosas e engraçadas para diminuir um pouco da tensão colocada no livro.

E junto deles ainda temos Nadja, a filha de um exilado que se encontra em Irkutsk e havia empreendido viagem para ver seu pai lá quando a invasão aconteceu e vê em Miguel um porto seguro para seguir sua viagem, além de ser uma das poucas personagens femininas da história.

A história é cheia de altos e baixos e repleta de tensão, com momentos impressionantes nos quais não conseguimos imaginar saída para Miguel e, muitas vezes, para seus companheiros ocasionais de viagem, com um final bem interessante e, em diversos aspectos, surpreendente.

17 de mar. de 2024

Proibição de Fotos em Formatura

 Tive uma experiência extremamente desagradável bem recentemente em uma festa de formatura.

Fui convidado para toda cerimônia de formatura de uma universidade aqui em Curitiba (missa, colação e festa), na qual eu conhecia não apenas uma, mas 3 formandas. Não pude ir na missa, pois foi em um horário no qual eu ainda estava ocupado com coisas do meu trabalho, mas fui à colação e à festa, tudo organizado por uma empresa chamada Formatture.

Olhei os convites de ambos os locais onde fui (colação e festa) e, em nenhum deles, constava que seria proibido tirar fotos. Isto, na minha opinião, seria inclusive bizarro em um mundo de celulares, onde um iPhone 14 Pro Max tem, na prática, mais chances de tirar uma foto boa do que eu com minha câmera.

Avaliei, porém, que na colação, por ser realizada em um teatro, não fazia sentido levar a câmera, já que sem uma lente com um grande zoom não conseguiria tirar nada que prestasse mesmo.

Na festa, em compensação, eu levei minha câmera canon EOS 80R, uma câmera semi-profissional com mais de 10 anos idade, juntamente com a lente 25-50mm que veio com ela quando a comprei e um flash adicional. Nada realmente especial e, mais uma vez, nada que hoje em dia um bom celular não consiga fazer com relativa agilidade.

Ao chegar na festa, obviamente existiam diversos "cenários" montados para os formandos tirarem fotos com a equipe contratada pela Formatture, os quais contavam com flashs externos, luzes e softs, todos já preparados e ajustados. Obviamente nem tentei tirar fotos lá, já que eu iria obviamente atrapalhar o esquema já preparado pela empresa.

Porém, na entrada dos formandos, me posicionei próximo à pista, porém, obviamente fora dela, desliguei o flash, já que não queria porventura "concorrer" com os flashs da equipe de fotografia da empresa e aguardei até a entrada dos formandos, momento em que levantei minha câmera para tirar algumas fotos da entrada deles. Foi aí que meus problemas começaram...

Uma representante da empresa, assim que viu minha câmera, veio diretamente até mim exigindo que eu guardasse a câmera pois era proibido tirar fotos ali, exigindo que eu guardasse a câmera no guarda volumes (nem mesmo na mesa poderia deixar). Eu questionei o porque de terem me deixado entrar com ela (já que ela estava em uma bolsa de câmera bem fácil de ser vista), momento no qual ela chamou os seguranças para me "escoltarem" até o guarda-volumes.

Tentei argumentar mais uma vez e ela disse, de uma maneira bem ríspida, que os formandos tinham assinado um contrato de proibição de máquinas semi-profissionais ou profissionais e que ela poderia processar eles.

Neste momento falei para ela que, obviamente, o motivo daquilo era somente porque ela iria querer vender as fotos únicas e exclusivas dela para faturar mais, ao que ela me respondeu algo como "claro, é meu dinheiro".

Neste momento uma das formandas que conheço já havia entrado e saí dali realmente contrariado em direção à mesa onde estava a bolsa da minha máquina sendo surpreendido pela representante ter me seguido junto com dois seguranças e querendo saber quem era a formanda da mesa na qual eu estava sentado.

Nesta altura não estava mais nem olhando para ela, guardando vagarosamente minha câmera e, posteriormente, sendo levado por um dos dois seguranças, muito mais educado e compreensivo que a representante da Formatture.

A festa acabou para mim naquela hora...

Em um mundo no qual, novamente, câmeras de celular bem operadas podem fazer um belo serviço, um motivo puramente exploratório como proibir fotos me deixa sem fala. Até mesmo o critério do que pode ou do que não pode é extremamente subjetivo: se tivesse levado minha câmera portátil, que não pode com certeza ser considerada semi-profissional mas também uma Canon que, inclusive, aceita múltiplas objetivas, poderia ter tirado fotos? E se tivesse levado minha Canon profissional antigona, que ainda usava filme, eu poderia ou não tirar fotos?

E tudo isto para que? Simplesmente para se esconder atrás de uma barreira intransponível: se os formandos querem fotos, que sejam as minhas, independente de serem ou não "personalizadas", e devem pagar mais por isto.

No lugar de uma proibição destas, porque não melhorar os serviços e fazer mais fotos melhores e personalizadas? Se as fotos oficiais deles fossem melhores do que as minhas, não vejo porque os formandos não as comprariam. Mas isto, obviamente, acarretaria em mais trabalho e mais custos para a Formatture, e é muito mais fácil (e lucrativo) forçar artificialmente a exclusividade.

E pior de tudo, lá pelas 2:00 a equipe de fotografia parou para comer. Eu, claro, entendo a necessidade de se alimentar, principalmente em um evento que segue noite adentro. Mas por quase uma hora a festa ficou praticamente sem registro fotográfico, perdendo, inclusive, uma garotinha de pouco mais de 5 anos subindo ao palco e dançando com a banda que estava tocando.

Simplesmente um descaso e uma falta de visão de futuro

16 de jan. de 2024

Pix matou o DOC... ou o progresso vem para o bem ou para o mal

 Nesta última segunda feira, dia 15, o sistema de transferências bancárias via DOC foi extinto (oficialmente isto acontecerá apenas dia 29, porque ainda existem transferências na modalidade para serem compensadas).

O motivo disto é, obviamente, o Pix, que revolucionou a forma como os brasileiros trabalham com o dinheiro. Afinal de contas, para que que alguém ainda utilizaria um DOC, que eventualmente era cobrado pelos bancos, para enviar no máximo R$4.999,99 em uma transferência que poderia levar até 24h para ser compensado quando pode fazer o mesmo sem limite (falarei disto depois), com efetivação instantânea e de forma gratuita?

O Pix matou completamente esta forma de movimentação e, em breve, mais outras coisas serão mortas, como os débitos automáticos, que o Pix programado provavelmente enterrará, assim como anos atrás a digitalização dos bancos matou os cheques (quem não lembra dos adesivos "bom para").

O futuro e a evolução são inevitáveis e temos de nos adaptar a elas, seja para o bem, como o Pix, seja para o mal, como atualmente anda a discussão sobre utilização de I.A. para geração de imagens.

Mas mesmo para as alterações que vem majoritariamente para o bem, como o Pix, sempre podem existir coisas com as quais devemos nos preocupar e que, muitas vezes, nem sequer foram cogitadas originalmente.

A padronização de Pix gerou toda uma série de novas formas de roubo. As instituições financeiras deixaram limites irreais de transferência para seus clientes e os ladrões se aproveitaram da velocidade da efetivação da transferência para lucrar rapidamente. Um efeito colateral não previsto e que, até o momento, não tem muita solicitação.

Mas resumindo, não se apegue demais a como as coisas são ou foram, porque, com a velocidade com que estão mudando, talvez amanha seja tudo diferente...

7 de jan. de 2024

A Ilha Misteriosa

Dando seguimento à épica leitura das obras completas de Júlio Verne, chegamos à Ilha Misteriosa, romance de 1873 que acompanha a história de cinco náufragos de um balão.

Tentando escapar de uma cidade americana controlada pelos opositores durante a guerra de secessão americana, os cinco improváveis amigos roubam um balão durante o ataque de um furacão, o qual os leva para os confins do mar, até uma ilha aparentemente desabitada, o que os torna náufragos improváveis, pois não vieram de uma embarcação usual.

Inicialmente o engenheiro Cyrus é dado como morto na queda do aeróstato, mas após alguns dias, ele é encontrado ainda com vida, o que além de inesperado, já que ele é encontrado mais adentro na ilha, sem saber como lá chegou, providencial, pois, como em diversos livros de Verne, ele é a fonte inesgotável de saber, que lidera os demais, então, colonos da ilha batizada de Ilha Lincon.

A história segue, então, nas peripécias feitas pelos colonos não apenas para sobreviver, mas também para prosperarem na ilha, criando desde um refúgio quase inexpugnável até mesmo plantações, moinhos e tudo o mais.

Mas por mais impressionante que seja a capacidade estes colonos, diversos fatos misteriosos sempre parecem ajudá-los quando eles mais precisam, desde o salvamento Cyrus. E isto é o que torna este livro interessantíssimo: ele junta outros dois livros anteriores no mesmo universo compartilhado.

O primeiro, os Filhos do Capitão Grant, é conectado quando, ao descobrirem a existência de uma ilha próxima, a ilha Tabor, eles resolvem fazer uma carca para lá navegarem e, ao chegarem lá, encontram Ayrton, um dos algozes daquele livro, agora recuperado de seus crimes e tornado um sexto habitante da ilha Lincon.

Já o segundo livro é muito mais improvável, porque a figura misteriosa que parece ajudar os colonos é ninguém menos que o Capitão Nemo, 18 anos após os eventos finais de 20.000 Léguas Submarinas. O Nautilus havia sobrevivido ao Maelstorm e, após a morte dos seus tripulantes, um a um, fora buscar aposentadoria justamente na ilha Lincon, uma ilha não mapeada. O Capitão, ao ver os colonos, resolveu ajudá-los eventualmente, o que se torna extremamente providencial durante todo o livro.

E já que livro de mais de 100 anos não tem spoiler, ainda veremos novamente Robert, o Filho do Capitão Grant, pilotando o Denver e caminhando para a salvar os colonos que, no último capítulo do livro, sofrem um perrengue que nem a inteligência de Cyrus conseguiria contornar.

No fim das contas, o livro é surpreendentemente interessante, contando uma história empolgante e que liga os pontos entre duas outras obras do autor.

27 de set. de 2023

O País das Peles

Dando uma acelerada na leitura das obras completas de Júlio Verne, terminei as duas partes de O Pais das Peles, romance original de 1873 que acompanha uma companhia de caçadores de peles na criação desafortunada de uma nova feitoria no extremo norte do Canadá.

No livro, o Tenente Jasper Hobson é instruído na construção de uma nova feitoria de caça para a Hudson's Bay Company, tentando melhorar a caça de peles avançando mais do que os concorrentes franceses e americanos.

Junto aos bravos homens que acostumados ao frio, junta-se Paulina Barnett, uma viajante que acompanha a criação da feitoria e, embora seja uma das poucas personagens feminina e demonstre diversas vezes um caráter forte, acaba tendo pouca ou nenhuma influência na aventura, o que a deixa subutilizada por demasia, quase que como um personagem secundário.

Além dela, um viajante de última hora, Thomas Black, o astrônomo, se junta a aventura de fundação para poder observar um eclipse completo do sol. Inicialmente pensei que ele fosse ser o "cientista sabe tudo" presente corriqueiramente nas aventuras de Júlio Verne, mas o personagem é pior que Paulina, sendo deixado completamente de lado como um inepto completo quando seus planos não dão tão certo quanto ele previa e que, mesmo com uma importante participação no último capítulo da aventura, é mais um personagem descartável.

Agora que já discorremos sobre os personagens, a hostória é dividida de uma forma interessante. A primeira parte trata da aventura dos desbravadores a caminho do ártico, enfrentando o clima e os animais na difícil tarefa da formação de uma nova feitoria, até que, sem que eles saibam, o inimaginável aconteça.

Se você não leu o livro ainda e não quer spoilers (embora spoiler de um livro de 1800 eu acho não seja possível, melhor parar de ler aqui!

26 de ago. de 2023

Uma Cidade Flutuante

Continuando minha aventura literária de Júlio Verne, chegamos a Uma Cidade Flutuante, o qual narra as aventuras principalmente da travessia do atlântico dentro do Great Western, um navio de proporções enormes para a época, e que fora utilizado para passar o cabo telegráfico submarino anos antes da narrativa.

O livro, acompanha um dos viajantes que, por acaso, acaba encontrando um camarada antigo que busca atravessar o atlântico para se recobrar de uma desilusão amorosa. Mas para dar algum sentido ao livro, sua amada acaba casando obrigada com um patife, o qual se encontrava no navio, dando algum fundo para o livro que, em sua maior parte, simplesmente narra o cotidiano fantástico de um navio transatlântico naqueles tempos.

Sem a figura usual do cientista sabe-tudo, comum em vários livros de Julio Verne, este acaba sendo, comparado a muitos outros, apenas uma descrição técnica de como as coisas aconteciam e se desenrolavam durante uma viagem daquela magnitude, parando esporadicamente para acompanhar a vida dos hóspedes do navio.

Adicionalmente, soma-se que, neste livro, a única personagem feminina é vista como completamente desamparada e sem nenhuma chance de nada, a não ser que alguém venha resgatá-la... bom, até para quando foi escrito acho que isto era um pouco subestimar o poder feminino.

Em resumo, até agora o livro que menos me agradou de todos os que já li.

2 de abr. de 2023

Nova Zelândia - Parte 2

Continuando os posts de dicas a respeito da Nova Zelândia, vamos falar um pouco sobre atrações turísticas e locais para visitar. Mas antes que você pense que se trata de um post a respeito de top 10 coisas para fazer, não é bem disto que vou falar aqui, mas sim sobre sua organização a respeito de quando e como fazer as coisas que você escolher.

E a primeira coisa importante a ter em mente: horário de funcionamento!

Na Nova Zelândia quase tudo o que é turístico tem horário de funcionamento entre 9:00am e 04:00pm, e muitos lugares só abrem a partir das 10:00am e alguns poucos fecham às 03:00pm ou tem entrada máxima neste horário. Pouquíssimos locais tinham funcionamento após escurecer e, geralmente, eles necessitavam de reservas antecipadas que já estavam esgotadas a meses.

Isto significa que  muito do seu dia pode ficar completamente inútil se você não planejar bem o que fazer e quando fazer, encaixando os locais próximos e levando em consideração o tempo de translado entre um local e outro.

Em compensação, muitos parques e passeios naturais são abertos 24h ou, quando não o são, geralmente já estão abertos às 7:00am ou, mais tardar, às 8:00am e fecham só após escurecer, o que pode ser facilmente encaixado em qualquer horário do seu dia de turismo.

Em nosso caso, por exemplo, geralmente fazíamos algo nestes locais mais flexíveis (e na maioria das vezes gratuitos) no início do dia, depois seguíamos para as atrações com horário de funcionamento e, se ainda havia tempo, seguíamos para outros locais abertos 24h.

Mas após planejar seu dia, sempre é bom verificar se você precisa comprar entradas antecipadas.

Embora muitos locais não tenham problema nenhum em chegar e comprar a entrada na hora, como os Zoológicos de Wellington e Auckland e os passeios de barco de Paihia, muitos outros locais precisam de planejamento, ou você simplesmente não conseguirá entrar.

Uma dica é verificar os sites dos locais que você planeja visitar. Entre neles e veja se você conseguiria comprar entradas para hoje mesmo ou amanhã. Se tiverem muitas vagas, significa que os ingressos não esgotam tão facilmente e você pode arriscar. Se você não conseguiria, aí é bom se planejar e comprar os ingressos antecipadamente.

Alguns locais, como Hobbiton, visitas a Weta, cavernas de Glowing Worms e diversos passeios noturnos, são tão disputados que você terá de comprar os ingressos com semanas de antecedência (entradas para jantar em Hobbiton ou visitar Zealandia à noite tem ingressos esgotados pelos próximos 3 meses no momento que escrevo isto).

O jeito é organizar estes passeios mais concorridos e montar sua viagem ao redor deles.

E já que estamos falando de comprar entradas, uma outra dica que nos foi passada pela dona de um dos locais onde ficamos: sites de descontos!

Existem 2 sites de descontos locais na Nova Zelândia, onde você pode encontrar ingressos substancialmente mais baratos (compramos a viagem de barco para ver o Hole in the Rock com 50% de desconto): GrabOne e BookMe. Basta escolher a cidade onde você está ou estará e o site mostrará uma série de atividades onde você pode comprar ingressos com descontos.

O problema são as letras miúdas... muitos dos descontos mais significativos dependem de você entrar em horários pouco usuais, como entre 13:00 e 14:00 ou com apenas 1 hora antes do local fechar.

Os dois sites valem muito a pena e economizamos muito por lá, mas você tem que estudar direito se o desconto vale em relação às condições. Por exemplo, não adianta pagar 30% a menos se você só terá uma hora para visitar um parque geotermal cuja trilha dura 2 horas.

O que me lembra de mais um detalhe interessante: tempo de visitação.

Nestes dois sites de desconto são mostrados o tempo médio de visitação de cada local, mas, na minha experiência, você pode colocar 50% a mais em todos os horários mostrados lá, salvo algo que você já tenha visto antes (como seu 5º parque geotermal).

E quando se trata de caminhadas, coisa que nós gostamos muito de fazer, aí pode colocar 50% a mais de tempo em tudo, ou até dobrar o tempo mostrado se você for apreciando a caminhada. Na nossa experiência, os tempos de caminhadas de tudo na Nova Zelândia é extremamente subestimado.

Embora os caminhos sejam extremamente bem indicados em praticamente todo lugar que fomos, muitos mostram apenas o tempo de caminhada, e ainda pode haver uma pegadinha: round, one way, two way. Se um caminho é round, o tempo mostrado é para dar uma volta e chegar  novamente de onde você saiu. Agora se o tempo é one way, significa que para ir e voltar você tem que dobrar o tempo mostrado, embora em alguns lugares mostre two way, que já seria a ida e volta.

E como regra, sempre é bom tirar uma foto do mapa no início da caminhada (muitos lugares tem um bom mapa no início das trilhas).

29 de mar. de 2023

Nova Zelândia - Parte 1

Recentemente eu fiz uma grande viagem de férias pela ilha norte da Nova Zelândia e, a despeito de ter preparado bem a viagem, muita coisa sobre a Nova Zelândia eu só aprendi ou descobri ao chegar lá.

Por este motivo, resolvi escrever um pouco não sobre a viagem em si, mas sobre algumas dicas importantes que eu acho que deveriam ser mais divulgadas para quem desejar se aventurar pelas terras daquele pais tão diferente e, em alguns aspectos, tão similar ao nosso.

E a primeira de todas: se você for alugar um carro, lembre-se que eles tem direção inglesa! Tudo bem, isto não é uma dica tão desconhecida, mas sempre é bom relembrar que não apenas a direção fica do "lado errado" do veículo como também o sentido das ruas e, principalmente, o sentido das rotatórias (e são muitas rotatórias!!!), que devem ser rodadas no sentido horário e quem vem da direita tem a preferência!

Além disso, um outro detalhe da mão inglesa: você ultrapassa pela direita! A pista para veículos lentos, e recomendo que você se comporte como um veículo lento pelo menos durante o período de adaptação, é a pista esquerda!

Parece simples, mas na prática, não é! Eu quase me envolvi algumas vezes em acidentes e se não fosse minha esposa estar junto comigo também prestando atenção teria sido muito difícil, logo, ou você pensa em fazer uma viagem sem carro ou já se prepara para algumas semanas estressantes lutando contra sua memória muscular a cada segundo atrás do volante.

Mas se você pensa que este é o único problema em relação a dirigir na Nova Zelândia, está bem enganado, porque além desta dificuldade, muitas outras coisas só foram descobertas lá.

A primeira delas: pedágio! Embora poucas rodovias sejam pedagiadas, eventualmente você acabará passando por uma e, ao contrário do Brasil, você não paga com moeda física. Na verdade, o que seria o posto de pedágio são um monte de câmeras, as quais reconhecem sua placa e colocam uma "nota de débido" na placa de seu carro.

Para poder pagar, você tem 5 dias para acessar o site oficial do departamento de estradas e rodagem (https://tollingonline.nzta.govt.nz/#/purchasetrips/prerequisites), clicar em aceitar no final da página e seguir adiante, o que o leva para um formulário no qual você consegue colocar a placa do veículo e o sistema já traz o quanto você deve. A partir daí o pagamento é feito com cartão de crédito.

O problema de não fazer isto em até 5 dias da passagem no pedágio, é que o departamento de estradas e rodagem irá gerar um boleto de pagamento diretamente para a locadora, acrescido de uma multinha. A locadora, espertamente, irá cobrar uma taxa extra de tratativa para este pagamento e o que seria um pagamento de 5 dólares canadenses de pedágio torna-se, dependendo da locadora, de até 50 dólares pela módica multa + taxa.

Outro grande problema, a depender de onde você vai: estacionamento.

Na maioria esmagadora dos locais onde eu estive, estacionamento não era, de verdade, um grande problema. As vagas são enormes e, mesmo com mão inglesa, fáceis de entrar e manobrar. Mas uma coisa você deve tomar cuidado, mesmo nas cidades menos cheias, onde vagas não são um problema: tempo de estacionamento.

Limite de 60 minutos
A maioria dos locais de estacionamento tem placas indicando a quantidade de minutos máxima que seu veículo pode permanecer. Embora não tenha visto nenhum controle e não exista um local para indicar a hora de chegada, diversos moradores locais disseram que este controle é realizado e se seu veículo ficar mais tempo que o indicado, você receberá uma multa na placa, ou seja, diretamente para a locadora, o que irá lhe acarretar dor de cabeça provavelmente após o final de sua viagem.

O segredo é procurar os locais sem tempo fixo. Marinas, pontos turísticos, museus... muitos destes locais tem vagas sem tempo ou com tempo expandido, o que facilita utilizar eles como pontos de estacionamento e, de lá, andar um pouco.

Já nos grandes centros (Auckland, Wellington, Hamilton) o estacionamento pode se tornar facilmente uma grande dor de cabeça.

No centro de Auckland, por exemplo, vagas de rua são difíceis de encontrar e o limite de tempo nunca é superior a 180 minutos, na melhor das hipóteses. Pegar um estacionamento é a melhor opção e, mesmo assim, é uma opção bem cara, porque não sairá menos de 30 dólares por parada.

Em Wellington é pior ainda. No centro as vagas em geral são de 60 minutos e os estacionamentos mais caros ainda. Existe um complexo de estacionamento chamado Clifton Car Park que fica a 15 minutos do cable car, que oferece o melhor custo benefício, chegando a 20 dólares por um dia inteiro de estacionamento, o que o torna uma ótima opção para parar bem cedo e fazer o centro da cidade a pé. De lá você consegue visitar praticamente tudo o que existe de turístico usual, mas vai exigir das suas pernas.

Uma outra opção em Wellington, porém mais cara, é estacionar no museu Te Papa. O estacionamento não ficará tão barato, mas ele não tem limite e também é extremamente central, podendo ser outra opção flexível e que não exigirá que você tenha que ficar trocando de vaga a cada duas horas.

E por fim, em se tratando de carro, estradas e ruas também tem seus segredos!

A maioria esmagadora das estradas na ilha norte, incluindo "grandes" rodovias, são compostas de pistas simples, mão dupla, sem canteiro central e sem acostamento! E muitas delas cheias de curvas montanha acima e montanha abaixo, em diversas ocasiões, inclusive sem guard rail.

Isto significa: atenção redobrada! Você nunca sabe quando um local está vindo após uma curva comendo parte da sua pista! Acreditem: isto aconteceu muito mais vezes comigo do que gosto de lembrar...

Adicionalmente, a velocidade limite geral na Nova Zelândia é de 100 km/h, salvo outra informação. Dentro das cidades ela cai corriqueiramente para 50 km/h e nas zonas escolares chega a 30 km/h. Não vi radares eletrônicos, mas vi muitos policiais controlando, tanto dentro de cidades como fora de cidades.

Recomendação 35km/h
Em compensação, uma coisa interessante e que poderia até ser adicionado na sinalização brasileira, é que muitas curvas mostram uma velocidade recomendada. Esta indicação não é o limite de velocidade, mas sim a velocidade na qual você consegue fazer aquela curva de forma segura, independente das condições.

Outro detalhe importante é que muitas pontes (muitas mesmo) são de pista simples, mesmo em rodovias. E nestas pontes você precisa ficar atento a quem tem a prioridade de passagem. Uma placa na chegada da ponte mostra uma seta para você e uma para o outro sentido. A seta maior indica a preferência na passagem. Muita atenção nestas situações!

E por fim, obras. As estradas da Nova Zelândia estão constantemente em reparos e obras, indicados por cones (o pessoal que coloca cones em ruas e estradas são bem eficazes... hehehehehehehe) e, usualmente, velocidades temporárias. Se você ver uma velocidade temporária de 50 ou 30 km/h em uma estrada normalmente sem limite (100 km/h), cuidado! Em muitos casos pode ser que um pedaço da estrada tenha afundado ou deslizado e você se verá em uma situação de pista menor que simples rapidamente.

E em situações mais críticas, uma determinada rodovia é simplesmente fechada! Indicativos de rotas alternativas são marcados com placas contendo um quadrado com fundo colorido. Mas não confie nelas! O pessoal acredita que você sabe onde quer chegar e os sistemas de navegadores (já falo sobre eles) não te ajudam muito nestas situações. Por sorte, embora as pistas não sejam uma Brastemp, elas são muitas, e opções geralmente não faltam.

Já quando falamos de cidades a situação é muito melhor. Geralmente elas são bem sinalizadas e você deverá tomar cuidado principalmente com as faixas de pedestre, que tem a preferência sobre o trânsito de carros em quase todos os locais, incluindo em muitas curvas a direita e a esquerda.

Apenas um detalhe a parte: Wellington. A cidade foi realmente criada em uma região proveniente de atrito de placas tectônicas, o que significa que ela é cheia de altos e baixos (e muito propensa a terremotos). Isto em si não seria um problema, não fosse o caso das ruas serem estreitas, mão dupla, com ônibus e, geralmente, ainda terem locais estacionados no que eu considero estacionamentos irregulares. Uma rua desta forma, no Brasil, muito provavelmente teria sido convertida a muito tempo em mão única e pista simples... mas não lá...

Por fim, navegadores e GPSs também podem ser uma dor de cabeça.

De forma resumida: o Waze, navegador padrão de muitos no Brasil, é uma M#$%&@ sem tamanho e mal cheirosa na Nova Zelândia. Ele não leva você para o local correto, pega caminhos literalmente bizarros e demora a se corrigir.

Depois de falar com o pessoal que mora lá, todos foram categóricos em dizer que Waze realmente não presta para uso cotidiano por lá.

O navegador de escolha na Nova Zelândia é o Google Maps! Além de você poder baixar os mapas offline (o que evita você ter uma conexão contínua 3G) ele acerta muito melhor os caminhos e te leva com precisão onde precisa. O único inconveniente é ouvir a navegação em português de Portugal (pelo menos no iPhone).

Um último detalhe: combustível. Embora eu falarei sobre isto em outro post, também é bom citar aqui que a maioria esmagadora de postos de combustível tem pagamento diretamente nas bombas ou em uma máquina central, não aceitando dinheiro. Tudo é feito via pagamento com cartão. São poucos postos onde consegui pagar com dinheiro, e somente em horário comercial...

26 de mar. de 2023

20.000 Léguas Submarinas

 Continuando minha leitura dos livros de Julio Verne, cheguei a um dos mais clássicos, se não o mais clássico, deles: 20.000 Léguas Submarinas, o qual terminei durante minha viagem de férias.

O livro conta a história do naturalista Aronax, seu auxiliar Conseil, e o arpoador Ned Land que, após o naufrágio de seu navio, ordenado para caçar o “animal” que vinha assombrando os mares, acabam resgatados pelo famoso capitão Nemo. O animal nada mais era do que o Nautilus, o engenhoso submarino, provido de força elétrica e espantoso em toda sua construção.

Aos náufragos é feita uma oferta: eles seriam livres dentro do Nautilus, mas nunca mais poderiam deixar o submarino. Em troca eles teriam oportunidade de conhecer um mundo nunca antes visto por outros humanos.

Ao longo de 7 meses os três companheiros visitam locais inimagináveis, como a própria Atlântida e o polo sul, enfrentando junto do destemido capitão Nemo diversas aventuras, como o ataque do octópode gigante que, muito diferente do mostrado nos filmes, não é apenas um, mas um grupo que acaba matando um dos tripulantes.

Também muito diferente de todos os filmes, nunca chegamos a descobrir as reais motivações de Nemo, e o livro termina sem que saibamos sequer de o Nautilus sobreviveu ao Maelstrom ou não.

Curioso que mesmo os motivos que levam o estudioso Aronax a sair do submarino são estranhos e pouco convincentes, coisa que nos filmes também é retratada de forma diferente.

Ainda assim, o livro é muito mais do que vemos no cinema e em qualquer adaptação que já houvera lido, escutado ou assistido, porém, também muito menos por todos estes pontos abertos que deixam o leitor à própria sorte.

Como adendo, finalmente consegui compreender o título do livro: a distância total percorrida pelos companheiros enquanto em poder do Capitão Nemo.

25 de dez. de 2022

Bizarrices Brasileiras

Tudo bem… claro que estou generalizando quando falo que são bizarrices brasileiras e, certamente, vamos encontra coisas similares em outros países. Mas mesmo assim é impressionante como algumas coisas acontecem que a gente fica se perguntando como é possível?

Tenho ido e vindo neste final de ano do Paraná para Santa Catarina, e a situação da estrada com a queda da barreira é simplesmente inaceitável. Tudo bem, acidentes acontecem e a chuva, embora após anos de crise hídrica seja bem vinda, não está ajudando.

Mas já se passaram semanas e a obra de recuperação ainda não terminou. Este é o maior absurdo!

O mais curioso é que eu passei de carro uma vez, a noite, bem vagarosamente, ocasião na qual eu realmente pude contar mais de 40 operários, dos quais, efetivamente, apenas 3 estavam fazendo algo aparentemente produtivo que não era conversar, olhar celular, sentar ou simplesmente estar encostado.

Eu dou o braço a torcer, talvez tivesse sido horário da pausa… mas talvez não…

E com toda esta situação decidi que o melhor é fazer este trajeto de ônibus. Posso ir dormindo e me preocupar um pouco menos. Até descobrir o estado no qual a rodoviária de Itapema se encontra…

Em plena temporada a rodoviária está em obras (que honestamente me pareciam inclusive desnecessárias), tornando-se uma tremenda bagunça. Os passageiros são atendidos e aguardam em toldos de lona, tudo completamente improvisado sem nenhum planejamento.

Ônibus e carros se misturam em um mesmo pátio sem demarcação para nada e nas poucas viagens já quase vi alguns acidentes por lá.

Enfim, dois exemplos concomitantes que me fazem perguntar uma vez mais: como é que pode???

7 de ago. de 2022

Os Filhos do Capitão Grant

Estes dias terminei de ler mais um dos livros da obra completa de Julio Verne, que adquirir por preço de banana na Amazon, para o Kindle, agora, Os Filhos do Capitão Grant, que na verdade, não é um livro, mas sim, três.

Os Filhos do Capitão Grant
Neste livro, vemos um rico escocês achar uma garrafa com uma mensagem de socorro vinda de um certo Capitão Grant, náufrago, que tem sua vida claramente em perigo e pede ajuda para seu resgate e dos poucos sobreviventes de seu naufrágio.

Após não conseguir ajuda do governo britânico e conhecer os dois filhos do capitão, um casal de adolescentes intrépidos que querem descobrir que fim levou seu pai, o próprio Edward Glenarvan, que encontrou a garrafa, resolve empreender ele mesmo a viagem de resgate, que o leva para a América do Sul.

No caminho encontramos o desastrado mas culto Paganel, geógrafo e cientista, que encontra-se no livro para, assim como o doutor o fazia em Capitão Hatteras, passar as informações científicas e históricas de todos os locais por onde nossos intrépidos heróis vão passando.

A aventura os leva a diversas aventuras e, por motivos que não vou contar aqui, muito além da América do Sul, passando pela Austrália e pela Nova Zelândia, com um final até que surpreendente, embora não de todo inesperado.

O mais impressionante em todos estes livros que estou lendo de Julio Verne é como ele consegue tantas informações e pormenores de tantos locais diferentes, assim como particularidades científicas, posto que este livro foi escrito antes 1866 e 1868.

4 de fev. de 2022

Presente de Aniversário para o Facebook

Hoje, a 18 anos, nascia o que conhecemos como o Facebook.

Acho realmente que ele dispensa apresentações, mas caso alguém tenha ficado as últimas duas décadas congelado em carbonite, Facebook é hoje, até onde sei, a maior rede social do planeta, com uma capacidade enorme de assimilar seus dados pessoais e convertê-los em formas de monetização. Piadas à parte, muito do que o Facebook faz, realmente é isto.

Mas o presente de aniversário que ele ganhou não realmente muito bom este ano. Após um ano recheado de histórias muito mal explicadas pela rede, como o fato de ela admitir a possibilidade de manipulação política ou de vazar que sabe que pode potencializar problemas psicológicos em seus usuários e não fazer nada em busca de mais dinheiro, ela viu pela primeira vez desde sua criação uma diminuição de sua base de usuários.

Em seu último trimestre de 2021 o Facebook chegou a perder 500.000 usuários diariamente. Uma gota perto dos milhões que tem na rede sua fonte de informação mas, mesmo assim, uma indicação de que talvez, e somente talvez, ela deva repensar seu modo de operação.

Mas o que mais azeda o presente é que esta debandada de usuários gerou uma desvalorização da rede de, dependendo da fonte consultada, mais de 240 bilhões de dólares!

Aiii... esta doeu...

1 de fev. de 2022

Censura do Holocausto nos EUA

Na semana passada eu li uma matéria que demorei a acreditar: no Tennessee, Estados Unidos, baniu MAUS, uma graphic novel de Art Spiegelman, ganhadora do prêmio Will Eisner, da escola, devendo a mesma ser substituída por outra obra.

Para quem não conhece, MAUS é uma biografia da história do avô de Art, um judeu que viveu o holocausto e chegou até mesmo a ir para Auschwitz. Mas o que surpreende na obra de Art é que, além de ele ter antropomorfizado os personagens (por exemplo, judeus são ratos, enquanto alemães são gatos e poloneses, porcos), ele conta a história do holocausto sem endeusar seu avô, mostrando que ele tinha, sim defeitos e muitas coisas que o próprio Art não gostava.

Mas, segundo o voto unânime do board desta escola, a obra não era apta a ser lida na escola, o que é um absurdo. Eu mesmo acho que li MAUS pela primeira vez com, talvez, 10 anos.

Isto mostra como estamos cada vez menos tolerantes.

13 de jan. de 2022

Página de Secret Wars Vendida por mais de US$3mi

Hoje, na Heritage Auctions, a arte original da página 25 de Secret Wars número 8 foi vendida por nada menos que US$3.36 milhões!

O que tem de especial nesta imagem? Bom, nela vemos pela primeira ver o Homem-Aranha com seu uniforme negro, que posteriormente descobrimos ser um simbionte alienígena que se tornaria Venom.

Na história, Peter tinha danificado seu uniforme e, em busca de alguma alternativa, acaba encontrando uma esfera preta que se torna o uniforme negro ao entrar em contato com ele.

Agora, isto realmente vale este preço? Boa pergunta…

9 de jan. de 2022

As Aventuras do Capitão Hateras

A algum tempo atrás comprei, em uma promoção bizarra da Amazon (que você ainda encontra aqui) um box para o Kindle contendo (acho) toda a biblioteca de Júlio Verne e venho, paulatinamente, lendo diversos livros dele.

Capa de As Aventuras do Capitão Hateras
O último foram As Aventuras do Capitão Hateras, que conta a história do supracitado capitão que tinha um sonho: ser o primeiro humano a chegar ao polo norte.

Para tal fim, o capitão não media esforços, tanto que, após algumas tentativas fracassadas, ele teve que construir um navio em segredo e contratar uma tripulação sem que a mesma soubesse a quem estava servindo e o propósito da viagem, pois do contrário, nenhuma pessoa serviria ao seu comando, mesmo com recompensas financeiras enormes.

Em cerca de 1/3 da primeira parte do livro, finalmente o capitão se revela e começamos a descobrir de quem ele realmente se trata e até que ponto ele está disposto a ir para chegar ao seu objetivo. E os desafios e riscos que ele decide correr são tão elevados que, durante muito tempo no livro você se vê torcendo para que ele não consiga atingir o polo e morra no meio do caminho.

Como diversos outros livros de Julio Verne, um bom volume do livro é recheado de dados científicos da época e de todo tipo de conhecimento da segunda metade do século XIX, o que pode deixar o livro bem denso para o publico comum. 

Ao final da primeira metade do livro, finalmente achamos que o capitão tem o que merece, pois ele realmente força a sorte muito mais do que seria possível, mas uma reviravolta acontece e o segundo livro, embora ainda tenha um capitão Hateras cego pelo seu objetivo, também tem uma série de outros contrapontos, personagens e situações que começam a lhe tornar menos odioso do que na primeira metade.

Não vou contar o fim do livro, mas basta dizer que, nos últimos capítulos, voltamos a ver Hateras da primeira metade e ele teve, na minha opinião, um fim justo.

Mas o melhor de todos os personagens do livro é o Dr. Clawbonny, um médico com conhecimentos científicos em praticamente todos os ramos e um conhecimento infinito, utilizado diversas vezes para salvar a todos de diferentes tipos de enrascadas ao longo de todo o livro. Ele, na minha opinião, e não Hateras, é o personagem principal do livro, a cola que mantém toda a história coesa e funcional.

 

7 de jan. de 2022

Fim de Uma Era

 Já falei anteriormente neste blog sobre empresas que não viram o futuro chegar e acabaram desaparecendo do mercado. Algumas por miopia mesmo (como é o caso da Kodak, que continuou a apostar em material analógico de fotografia enquanto o mundo mudava para o digital), mas outros, simplesmente porque alguém inventou um produto alternativo e melhor.

Este é o caso da BlackBerry, a gigante dos celulares corporativos no início do milênio, com, até onde sei, um pico de 19% de participação no mercado, que viu suas margens derreterem continuamente após a introdução do iPhone, em 2007, e dos celulares com sistema Android.

Apenas para se ter uma ideia, em 2009, 18,3% do mercado de celulares tinha iOS ou Android, sendo que o campeão eram celulares com sistema Symbian, com 46,9%. Porém, no espaço de 2 anos, esta balança mudou drasticamente, com iOS e Android somando 65,5% do mercado e Symbian caindo para apenas 18,7%.

A BlackBerry até tentou novamente entrar no mercado com celulares baseados em Android, mas nunca chegou a ter realmente alguma chance correndo atrás dos competidores.

E agora, em janeiro de 2022, os celulares clássicos da BlackBerry se tornarão pequenos tijolinhos, porque sua tecnologia deixa de ser funcional e todos os celulares ainda usando BlackBerryOS não mais poderão fazer ou receber ligações, mensagens ou dados, tornando-os efetivamente inúteis e encerrando uma era na tecnologia corporativa.